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Pergunta: Mais que um livro, O gigante tem o sentido de vitória
após árdua luta. Diga precisamente o que o levou a tal enfrentamento.
Luigi: Quando decidi escrever um livro sobre o Brasil, nem pensei
na imensidão das terras e no tempo necessário para tamanha
empreitada, que exigiu 13 anos de viagens, estudos e pesquisas. Na ocasião,
fui informado de que o Conselho Mundial de Igrejas, com sede na Suíça,
seria autorizado a ajudar o Nordeste do Brasil se alguém descrevesse
as condições sócio-econômicas e culturais daquela
região. Pensei muito no assunto e no que eu poderia fazer no sentido
de contribuir para que o Conselho conseguisse realizar o seu intento.
Assim, temendo pela minha vida - digo-o honestamente -, mas cheio de energia,
segui ao Nordeste. Durante três meses percorri aquelas terras em
todas as direções e com todos os meios de transporte, desde
o avião até o jegue. Estudei a vida dos jangadeiros; percorri
o sertão e a caatinga; deslizei de ubá os rios; atravessei
as florestas; conheci ex-cangaceiros e velhos sobreviventes de Canudos;
andei ao léu com os migrantes; dialoguei com personalidades, escritores,
juízes, pesquisadores, missionários, cientistas, índios,
cantadores, repentistas e também com os mineradores e madeireiros
que estavam poluindo e destruindo o Brasil. Conversei com incontável
número de pessoas, milhares de patriotas que formam o conjunto
bio-sócio-econômico e cultural do povo brasileiro. Um conjunto
colossal de deixar tonto o pesquisador mais controlado. Ao final, saí
estonteado diante da variedade do colorido das plantas, dos rios e dos
mares do Brasil.

884 pp. - R$ 38,00
edição ilustrada
Pergunta:
De tudo isso, o que extraiu para o seu proveito pessoal?
Luigi: Caminhando na imensidão das terras brasileiras, tive
a sorte de conhecer o país e milhares de pessoas de todas as camadas
sociais, de todos os timbres culturais, de todas as raças e de
diferentes pensamentos. Penso que na vida de um homem esses fatores são
da maior importância.
Pergunta: Com toda a sua vivência, o que
espera deste país?
Luigi: Com base no que conheço do Brasil e do seu povo,
estou convencido de que o país terá um futuro grandioso
se for implantada uma reforma escolar. É vital. É uma questão
de cultura e o povo brasileiro tem todos os elementos constitutivos para
alcançar essa meta. Depende principalmente dos homens que o destino
colocará para dirigi-lo. A cultura afastará os maus políticos.
Estabelecerá a base da justiça que acabará com as
impunidades, com os privilégios e as injustiças patentes
e liquidará essa degradante separação de classes,
bem como a distinção de raça no gigantesco país.
A geração do início do terceiro milênio, se
bem guiada na família e na escola, até a formação
militar, poderá levar a pátria à primeira linha dos
países que encabeçam e representam a humanidade.
Pergunta: Qual é a importância do
Gigante para os brasileiros, principalmente aqueles que constituem a grande
maioria deste povo?
Luigi: O Gigante nada mais é que uma mensagem de fé
e esperança. Mostra as possibilidades ao povo brasileiro para galgar
e alcançar as metas que os antepassados traçaram ao longo
da história.
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Sobre o Autor
Luigi Maria Sarcinella (Lecce - Itália - 1920-...) é
um homem que vem trazer ao público toda a experiência que
a história do mundo lhe possibilitou. E esse gesto ele concretiza
por meio da escrita.
Na obra deste autor podemos vê-lo, ainda jovem, combatente nas frentes
da Grécia e da Iugoslávia, depois, preso num lager nazista
e, evadido, lutando na Resistência, por fim, um soldado rebelde
na Segunda Guerra Mundial. Anos depois ei-lo no Brasil (1946): um homem
olhando para esta terra - quão difrente da que ficou para trás!
Quer conhecer o novo país e fica sabendo de repente que os próprios
brasileiros não conhecem esse gigante. Sem dúvida, urge
embrenhar nas matas, percorrer sertão adentro, para descobrir o
Brasil e revelá-lo em sua inteireza.
Numa tentaiva de embasar-se para a empreitada, estuda jornalismo, cosmografia,
antropologia e pré-história.
Como resultado de sua vivência, escreve Salto no escuro, já
na 4.a edição, um libelo contra a guerra; e Quase além
da fantasia, ficção científica fundamentada na astonomia,
genética e robótica.
O gigante brasileiro, agora na 2.a edição, é sua
obra maior, um retrato do Brasil: a história, a geografia e a gente.
Contudo esses livros são apenas uma parte de sua realização
ao longo da vida. O importante mesmo é a esperança que ele
vem infundindo com a sua atuação.
Quarta
capa
O gigante
brasileiro é
uma obra repleta de informações. Seu conteúdo humano
torna-o vivo, a pulsar nas mãos de quem o lê. Logo no início
contagia-nos com seu entusiamo e, de repente, estamos partindo de viagem
para o próprio Brasil, com o autor indicando o cenário atual
e revelando aquele do passado, às vezes, esquecido não só
no tempo mas também pela ação dos que o preferm sempre
encoberto.
Desde o Amazonas, percorremos os vários estados até chegar
no Rio Grande do Sul; entre os gaúchos, nos vemos diante de um
grande homem - Érico Veríssimo - a falar tranquilamente
de sua arte. Mas estivemos também com Jorge Amado, na Bahia; e
com José Américo de Almeida, com Luís Câmara
Cascudo, João Cabral de Melo Neto, Oscar Niemeyer, Juscelino Kubitscheck
e tantas outras personalidades, todas a encher de emoção
o nosso autor, Luigi Sarcinella.
E são tantos os tipos humanos com que encontramos: magistrados,
religiosos, caciques, turistas, motoristas de ônibus, carregadores
de malas, prostitutas e foragidos da lei. Aparecem também, para
embasar as informações, os dados estatísticos e os
ensinamentos de antropologia, pré-história e astronomia
que o autor, estudiosdo desses assuntos, nos oferece.
Um só gigante é pouco - descobrimos conforme flui a leitura
- para o tanto que existe de norte a sul e de leste a oeste, desde o passado
até o presente, somado a todas as contradições: riqueza
e miséria, progresso e atraso, rapina desavergonhada e renúncia
absoluta.
Só mesmo um homem que passou pelos horrores da guerra, e aqui aportou
todo cheio de esperanças, para ter uma curiosidade tão aguçada
a ponto de adentrar nessa amplidão, e mesmo, em se perdendo, persistir
até o limite final de suas forças.
Luigi Sarcinella quase se perdeu a si na implacável selva amazônica
e nos sertões adentro. Vítima da malária, da fome
e da sede, a nada disso sucumbiu - fortalecido que estava pelo compromisso
que assumira consigo mesmo de revelar ao mundo o retrato fiel desta terra,
que a tantos tem acolhido como gigante que é, e mais ainda motivado
pelo perfil humano do povo brasileiro que o incentivou a continuar nessa
empreitada.
O gigante brasileiro é um livro recomendado àqueles
que, por dever de ofício ou não, desejem conhecer um pouco
mais este país. É obra oportuna, que permite a fugaz inagem
desse gigante em transformação agora acelerada.
Tábua
geral da matéria
Sobre o
autor, IX
Dedicatória, XI
Apresentação, XIII
Introdução, XV
Ilustração - índio Boror, XXI
Ilustração - Mapa atual do Brasil, XXII
O Brasil, 23
Perfil geográfico, 23
Perfil histórico, 24
Perfil sócio-econômico, 26
Ciclo do pau-brasil (Ibirapitanga-pau vermelho), 27
Ciclo do açúcar, 27
Ciclo do algodão e do tabaco, 28
Ciclo do gado, 29
Ciclo do ouro e dos diamantes, 29
Ciclo do café, 30
Ciclo industrial, 30
Amazonas, 32
Pará, 63
Maranhão, 88
Piauí, 120
Ceará, 136
Rio Grande do Norte, 163
Fernando de Noronha e irmãs, 191
Paraíba, 194
Pernambuco, 220
Alagoas, 251
Sergipe, 284
Bahia, 300
Espírito Santo, 401
Minas Gerais, 438
Goiás, 483
Mato Grosso, 519
Ilustração - Mapa de localização dos indígenas
brasileiros, 526
São Paulo, 585
Rio de Janeiro, 659
Paraná, 693
Santa Catarina, 754
Rio Grande do Sul, 793
Ilustração - Edifício Itália - São
Paulo, 842
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