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Esta obra é destinada aos professores e àqueles que estão em processo de formação, como os alunos dos cursos de licenciaturas, e àqueles que trabalham nos diversos níveis e contextos da educação básica, e que continuamente empreendem sua formação.
Pode ser utilizada pelos que atuam na formação dos professores, em suas discussões de sala de aula, bem como para a reflexão daqueles que elaboram, propõem e implementam programas e práticas de formação continuada, inclusive os coordenadores e diretores de unidades escolares, para quem esta é uma questão básica.
Entrevista com o Autor
Alfa-Omega: Defina o conceito de formação continuada.
Paulo César Géglio: Formação continuada é aquela realizada após a formação inicial (nos cursos de graduação ou de nível profissionalizante), que se efetiva consoante ao desempenho das atividades profissionais. Ela pode ser uma iniciativa individual ou oferecida pela instância ou empresa empregatícia. Podemos considerar investimento nesse tipo de formação a compra de livros para estudos sobre o exercício profissional, bem como a participação em encontros, palestras, seminários e cursos de extensão, especialização e pós-graduação (mestrado e doutorado).
AO: Qual é, na realidade, a preocupação dos governos (o brasileiro) com a educação?
PCG: Esta questão nos remete para uma análise histórica da educação brasileira, no sentido de perceber como os governos das diferentes instâncias da nação trataram a educação pública. Considero que uma educação de qualidade implica, antes de tudo, ser necessariamente para todos. Só começamos a caminhar nessa direção por volta da metade dos anos 90 com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (9394/96) que propiciou a elaboração e execução de vários programas oficiais nos âmbitos federal, estadual e municipal.
AO: A educação já prioridade de governo em algum momento da história do Brasil?
PCG: O tema educação sempre foi pauta dos discursos políticos, visto que se trata de uma necessidade social e de responsabilidade do Estado. Não podemos dizer que houve um governante no Brasil que não tenha investido em educação, mas não é possível considerar as iniciativas como uma prioridade exclusiva de atendimento à população.
AO: Explique o conceito de "professor reflexivo".
PCG: O termo reflexivo deriva do verbo refletir, do latim reflexione, que significa ato ou efeito de curvar-se sobre, retorno do pensamento sobre si mesmo, no sentido de analisar com maior acuidade uma idéia, uma ação, um problema etc. Assim, professor reflexivo é aquele que se coloca a pensar sistematicamente, pormenorizadamente, sobre suas práticas, seu ambiente de trabalho, seus alunos, seus objetivos, os fins mais amplos da educação, o contexto social, o papel da escola e sua contribuição para a escolarização e construção de uma sociedade mais justa, eqüitativa e solidária.
AO: Qual é o papel da Psicologia Social na educação?
PCG: A Psicologia Social analisa o comportamento das pessoas em seu processo de interatividade, isto é, quando elas estão agindo em grupo, em comunidade. Na educação ela investiga as representações sociais dos alunos e professores sobre educação e práticas pedagógicas, bem como os aspectos sócio-históricos que estão presentes na consecução da prática de ensino e de aprendizagem.
AO: A formação continuada diz respeito especialmente ao educador? Em que medida estes professores que participam desta modalidade de educacão melhoram a sua relação com os alunos?
PCG: Formação continuada diz respeito ao continuo processo de conhecimento humano. Conhecer implica agir sobre um objeto, um dado, um fato, uma situação uma teoria, uma experiência, bem como rever conceitos, reelaborar um conhecimento já constituído. Nesse sentido, a expressão serve para todos, em qualquer área ou segmento do trabalho humano. Na medida em que os professores e outros profissionais canalizam sua atenção para momentos de formação continuada o resultado esperado é a assimilação de novos conceitos, novas práticas, novas metodologias, que serão utilizados em função da otimização da sua atuação com os alunos.
AO: É conhecido o caos na educação pública brasileira. Professores trabalham recebendo salário menor que o mínimo em algumas regiões do País. A educação pública brasileira tem jeito?
PCG: A tarefa do educador implica persistência e crença. Persistência na mudança e crença na capacidade de aprendizagem e desenvolvimento do aluno. "A educação pública depende muito mais da população em geral, não só daquela que a usufrui diretamente, do que do poder público". Sua edificação deve partir de uma política pública e não de governo, para isso é necessário que a população lute por ela, cobre do poder público uma grande mudança e não pequenas reformas ou projetos-piloto. Creio que alcançaremos esse estagio de reivindicação.
Questões da Formação Continuada de Professores
104 pp. - R$ 38,00
ISBN 85-295-0058-X
Código de barras: 9 788529 500584
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CONFIRA A VERSÃO DIGITAL DO LIVRO QUESTÕES DA FORMAÇÃO CONTINNUADA DE PROFESSORES
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Sobre o Autor
- Paulo César Géglio é mestre e doutor em educação pela PUC/SP.
- Há dez anos atua como docente em cursos de formação inicial e continuada de professores.
- Orienta alunos em trabalhos de conclusão de curso de Graduação e Pós-graduação.
- É avaliador ad doc de projetos de cursos de pedagogia para o Conselho Estadual de Educação de São Paulo.
- Elaborou projetos e implantou cursos de pedagogia.
- Participou da elaboração de projetos e da implantação de cursos de licenciaturas.
- Integra grupo de pesquisa sobre formação de professores do Programa de Pós-graduação em Psicologia da Educação da PUC/SP.
- Atuou como professor na educação básica e no curso de magistério (CEFAM).
- Foi diretor de escola técnico-profissionalizante.
- Participa como co-autor da série Coordenador Pedagógico da editora Loyola.
- Dedica-se aos estudos da Filosofia e da Psicologia da educação.
Quarta capa
Demoramos mais de trezentos anos para começar a formar nossos professores e desse período até hoje nunca houve uma linearidade de ações voltadas para essa questão. Vivenciamos várias rupturas políticas, enormes pausas, preocupações nem sempre relevantes para a formação do professor, desperdícios de recursos financeiros. De fato, a educação não foi prioridade dos governantes brasileiros. Ainda há muito que fazer e discutir. Nesse sentido, este livro é uma contribuição de grande valor.
A presente obra representa o esforço de reunir e socializar algumas idéias que o autor vem discutindo, há algum tempo, com alunos de licenciatura e professores de cursos de formação continuada, bem como dados de pesquisa a respeito da formação continuada e da prática de professores da educação básica, coletados em função do trabalho desenvolvido pelo autor em seu doutorado em educação.
Aborda a relação entre a formação continuada e a mudança de prática do professor em sala de aula. Para tanto, foi considerada a necessidade de discutir, primeiramente, alguns assuntos atuais, que estão presentes tanto no contexto do trabalho do professor, como nas discussões dos cursos de formação; como a relação entre a teoria e a prática, a questão das competências, o “professor reflexivo”, o papel da escola na sociedade informatizada, a atuação do professor no processo de escolarização do aluno. Temáticas que são abordadas no sentido de consubstanciar a discussão, isto é, com o intuito de esclarecer alguns conceitos, bem como apresentar algumas interpretações a respeito de contribuições teóricas da atualidade sobre a educação e a formação docente.
A Editora Alfa-Omega sente-se honrada em contribuir para a discussão de tema tão primordial, afinal a Educação é sinônimo de libertação.
Prefácio
A preocupação com a formação dos professores é uma das mais antigas e presentes nas discussões sobre educação, tanto no âmbito acadêmico como nas políticas públicas. Oriunda do meio universitário há uma expressiva quantidade de livros, artigos e relatórios de pesquisas sobre o tema. No que diz respeito ao poder púbico, a preocupação inicia-se no final do século XIX, com a criação da primeira escola normal brasileira, no Rio de Janeiro em 1835, visando melhorar o preparo docente e chega até os dias atuais com a reforma dos programas de formação inicial e a oferta de cursos na modalidade continuada.
Considerando a data acima, talvez o senso comum considere muito tempo, mas não o é. Demoramos mais de trezentos anos para começar a formar nossos professores, além disso, não podemos entender o período até hoje como uma linearidade de ações voltadas para essa questão. Vivenciamos várias rupturas políticas, enormes pausas, preocupações nem sempre relevantes para a formação do professor, desperdícios de recursos financeiros. De fato, a educação não foi prioridade dos governantes brasileiros. Ainda há muito que fazer e discutir. É nesse sentido que torno público essa contribuição.
A presente obra representa o esforço de reunir e socializar algumas idéias que tenho discutido há algum tempo, com alunos de licenciatura e professores de cursos de formação continuada, bem como dados de pesquisa a respeito da formação continuada e da prática de professores da educação básica, que coletei em função do meu trabalho de doutorado em educação.
A intenção foi a de produzir um texto que aborde a relação entre a formação continuada e a mudança de prática do professor em sala de aula. Para tanto, considerei a necessidade de discutir, primeiramente, alguns assuntos atuais, que estão presentes tanto no contexto do trabalho do professor, como nas discussões dos cursos de formação; como a relação entre a teoria e a prática, a questão das competências, o "professor reflexivo", o papel da escola na sociedade informatizada, a atuação do professor no processo de escolarização do aluno. Ao privilegiar essas temáticas, tentei abordá-las no sentido de consubstanciar a discussão, isto é, com o intuito de esclarecer alguns conceitos, bem como apresentar algumas interpretações minhas a respeito de contribuições teóricas da atualidade sobre a educação e a formação docente.
Dessa maneira, a discussão central, que justifica o título, é realizada propriamente nos Capítulos III, IV, V e nas considerações finais (VI). Para fazê-la recorri ao aporte da Psicologia, mais especificamente à Psicologia Social, ou ao menos, a minha interpretação do que pode ser considerado como Psicologia Social.
Tábua da matéria
Sobre o autor, 7
Apresentação, 9
Capítulo I
Alguns aspectos sobre a formação dos professores nos últimos 30 anos, 11
1. Um olhar crítico para os conceitos de competência e de professor reflexivo, 19
a) Professor reflexivo, 21
b) Competência, 29
Capítulo II
A relação da teoria com a prática na formação continuada de professores, 41
1. Conceitos e representações de teoria, 43
2. Concepções de prática, 46
3. A relação entre a teoria e a prática, 49
4. A teoria e a prática na formação continuada do professor, 52
Capítulo III
A mudança de prática de professores sob o ponto de vista da Psicologia Social, 57
1. A subjetividade do trabalho docente, 57
2. A Psicologia Social na perspectiva tradicional, 63
3. Uma Psicologia Social crítica, 65
4. A significação dos atos humanos, 69
Capítulo IV
A percepção de professores sobre a influência dos cursos de formação continuada em relação a sua prática, 73
1. A percepção sobre os cursos de formação continuada e a prática, 73
a) Contato com os pares, 74
b) Atividades práticas, 75
c) Rememoração de conhecimentos, 76
d) Relacionamento professor/aluno, 77
e) Influência de formações anteriores, 78
2. Significados sobre conceitos e práticas, 78
a) Significado de teoria, 79
b) Significado de prática, 81
c) Relação entre teoria e prática, 82
d) Significado dos cursos de formação continuada para a prática, 83
e) Momentos marcantes dos cursos de formação continuada, 86
Capítulo V
A contribuição da teoria dos significados para a análise das narrativas de professores, 89
Capítulo VI
Considerações finais, 95
Bibliografia, 101
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